Índice

Poética

Declive com evidências

A poesia é uma arma
cagada de futuro. 
Fuches tu, fuches tu,
o que a fuches cagar ao palleiro; 
fuches tu, fuches tu,, 
que aínda levas os versos no cu*.

o ruído elástico dos pombos a voar   

emoticono bomba

Banda sonora ♦♦

A Poesia morreu, longa vida à Poesia.
LAWRENCE FERLINGHETTI

 

* (Foste tu, foste tu, foste tu, / quem a foi cagar ao palheiro; / foste tu, foste tu, foste tu, / que ainda levas os versos no cu).

11

Cometidos

Para que é que serve a poesia,
perguntam-me levantando
a mão no ar com decisão
entre outros adolescentes.
Fico calado durante uns instantes,
contrariado e dubitativo.
É a pergunta mais estúpida
de todas quantas me fizeram.
–Para que tu possas perguntar-mo
e eu tenha
que pensá-lo–,
respondo-lhe sentindo
esse alívio
que produz
uma mijada urgente.

Você não pode imaginar o que a poesia pode fazer por você!

A poesia…

Poeta: problemas de
enurese com os versos?
Ligue 601.666.999

15

Identidade

QUIXERA ALZAR O MEU POEMA COMA UN PUÑO…

A poesia,
mas o que é a poesia.
Mais de uma insegura resposta
deu-se a essa pergunta.
E eu não sei, e sigo sem saber, e a isto me agarro
como a um oportuno corrimão.
W. SZYMBORSKA

?

♦♦

Poeta desempregado oferece-se para escrever versos.

17

Apetência

Não posso escrever
os versos mais sérios esta noite;
escrever, por exemplo,
a poesia anda perplexa e
cavalga o desconcerto
no traço da tua/minha mão.
Só quero escrever
de nada.
Isso é tudo.
Não posso, é certo,
mas talvez os escreva.
Embora se ponha tão grandiloqüente
a poesia e tão enorme o vacio
que a minha alma se contente
com saber que escrevo.

A P. N., claro

COMO HEI VIVIR MAÑÁ SEN A LUZ TÚA? *

* [Citação da página 53 desprazada em ciberatentado com poebomba]
18

Perdurabilidade

Se escrevesse um poema
no tempo
em que é capaz de resistir
uma mosca
debaixo d’água,
a minha obra
teria a resistência do cosmos
mas entraria na categoria
das coisas molestas.

 

p o e m o s c a
19

Conditio sine qua non

O poeta e último Premio Cervantes, Antonio Gamoneda, defendeu hoje o carácter minoritário da poesia, já que, na sua opinião, trata-se de uma condição que garante, a diferença doutros géneros literários como a narrativa, que «não tenha que obedecer as leis de mercado e possa ser livre».

http://www.elmundo.es/elmundo/2006/12/02/cultura/1165078003.html

libertad, libertad, sin ira libertad
guárdate tu miedo y tu ira
porque hay libertad, sin ira libertad

nota-musical

Quando libertamos a narrativa?  

Mãos à obra, narradores do mundo!

20

A salvo

Não temos lector@s e por isso
estamos a salvo das tentações do mundo.
Fechai, por favor, as portas
da poesia.
Que não nos vejam os inimigos.
Na linha do horizonte somos
un diminuto punto
invisível
de silêncio.
Somos um ouriço
que sabe proteger-se.
O câmbio climático poderá
destruir o mundo, mas
@s poetas sempre
ficamos a salvo.
Sobrevivemos.
Sobrevivemos.

S
o
b
e
v
v
e
m
o
s
21

Dúvida

A poesia é conhecimento,
digo em público.
E quanto mais escrevo
menos certezas tenho.

Think different

uneasy

certezas
certezas

certezas
certezas
certezas
certezas
certezas
certezas
certezas
certezas
certezas

certezas
certezas
certezas
certezas
certezas
certezas
certezas
certezas

Ver Subversións, página 177

♦♦ Contradictio

22

Madureza

Verde que te quero verde
FEDERICO GARCÍA LORCA

Advirto
que a madureza
enche
os meus poemas
com o pouso
resabido,
cético
e ácido
da ironia e
no entanto
preferiria
a insultante
inconsciência
do poema
ainda verde.

sugarfree poetrygum
24

Subpoética

O bom sabe bem!

O que mais me inspira
é o recendo concentrado
que desprendem os teus versos.
Cheiro-os, aspiro-os, lambo-os
suavemente e releio-os,
masturbando-me
acompanhado de um poema
escrito pela tua mão.
Nunca vi versos tão tangíveis
e con tanta alegria de viver.

corpo

OS POETAS DA RUA

Corro
polo teu corpo.
Viaxo
sen sentido.

LUPE GÓMEZ

Grabo versos de colores fríos en tu piel
ELENA MEDEL

 

25

Crítica

O livro não toca
os grandes temas
da poesia
nem pertence
à alta literatura,
escreveram numa crítica
sobre o seu último poemário
na secção mais sublime
de uma revista ilustrada.
Desde aquele dia, cada vez
que elege o tema
dos poemas,
põe à sua beira
a cinta métrica,
apalpa-lhes a altura
calculando com os dedos,

e mide cada um para decidir-se sempre pelos mais grandes.
Três versos resultaram feridos
num ciberatentado com poebomba.

bomba

 

26

Fracasso

Onde cheira a merda, cheira a existência
ANTONIN ARTAUD

Quando não me saem
os poemas
lembro
os momentos
em que estou
espremido.
Por mais força
que faça
só consigo
que saia um delicado
fio de merda.

-:-)

o ruído elástico dos pombos a voar
27

Conto A

Havia um poeta muito pequenino que escreveu um verso
e chegou um poeta pequenino que o reescreveu
e chegou un poeta pequeno que o reescreveu
e chegou um poeta mediano que o reescreveu
e chegou um poeta óptimo que o reescreveu
e chegou um poeta grande que o reescreveu
e chegou um poeta muito grande que o reescreveu
e chegou um poeta enorme que o reescreveu
e chegou o Grande Poeta que o reescreveu
e quando o terminou, com o esforzo, desintegrou-se
porque era uma criação virtual
e em realidade também era um poeta
muito pequenino
e se esta história te parece curta
voltaremos voltaremos a começar.

nota-musical
28

Conto B

Havia um poeta muito pequenino que escreveu um verso
e chegou um poeta pequenino que o reescreveu
e chegou un poeta pequeno que o reescreveu
e chegou um poeta mediano que o reescreveu
e chegou um poeta óptimo que o reescreveu
e chegou um poeta grande que o reescreveu
e chegou um poeta muito grande que o reescreveu
e chegou um poeta enorme que o reescreveu
e chegou o Grande Poeta que o reescreveu
e quando esta história estava prestes
a voltar, a voltar a iniciar
chegou uma poeta que escreveu
um poema novo.

O segredo está na massa 

29

Ao caduco modo petrarquesco

Gentil lírica minha, vejo no movimento
dos vossos versos a doçura do lume
que me ensina o caminho que ao céu conduz;
e quero, como eterno costume,
onde unicamente a Poesia é a minha companhia,
que o meu coração sobre vós se debruce.

Rebelde com causa

«Quando se pertence á poesia, a esse escândalo quase amoral da poesia, toda a gente admira os malditos»

http://www.xornal.com/artigo/2010/01/17/suplementos/contexto/carlos-oroza-poesia-no-vocacion-fatalidad-escoge-victimas/2010011700461400203.html
Completar com a instalação poética da página 32
38

Conjugação

O eu
e o um
são duas manifestações de um
mesmo poeta.
O tu e o ele
são dois disfarces
de um mesmo poeta.
O nós são varias grandiloqüenças
de um mesmo Poeta.

Qual é a mais arrepiante das coisas arrepiantes?
Um grandiloqüente que quere mostrar-se relaxado

GOETHE

altavoz Ligação poética

30

Escala de valores para poetas (malditismo)

_________
Entre 35 e 55,5 pontos: você é um verdadeiro poeta (poeta maldito)
Entre 10 e 35 pontos: você é um poeta
Entre 0,5 e 10 pontos: você escreve poesia

Just do it!

 

Ver a citação na página 45

Ver Transición, página 74

31

Do you think?

Do you think I’m sexy?
Do you think I’m poetic?

-:-)

http://www.youtube.com/watch?v=Hphwfq1wLJs

Mi madre dice: escribes y no ganas ningún premio.
No puedo prostituir el valor de lo poético,
la relación atroz que tiene con el dolor,
con lo mágico, lo terrible.

MARCELO MORALES

Há algum rebelde com causa?
Ver possível solução na citação da página 38

—Gosto muito desse poema teu que não diz nada.
—Qual?

32

Hipocrisia

A poesia esconde
no seu sangue
a palavra hipócrita
dos padres pedófilos;
é velha, brincalhona,
pançuda
e está corrupta
desde
o primeiro
até o
último
verso
de deus e do caralho.

http://franalonso.blogspot.com.es/2014/01/a-xeito-de-poema-pornografico.html

Pero que son os poetas?
Coñezo xente que escribe versos e recita versos
e se chaman poetas,
pero eu na vida escribín senón sangue,
nin recitei nada
que antes non se untase en cuspe
ANTÓN LOPO

Confrontar com os poemas da página 84
43

Cantiga

…E PÓR NA MIÑA VOZ O SEU VERSO ERGUEITO…

atento contento com tanto poeta
atento com tanto poeta contento
atento poeta com tanto contento
poeta contento com tanto atento
poeta contento com tanto atento
poeta contento com tanto atento
Ai Deus, e se contentará?

 

 

question

44

Estes poemas são…

para os poetas, para as poetas, para os críticos, para as críticas, para @s hackers,

It´s the Real Thing

e para nada, para ninguém, para nós, para os algoritmos, para os ciberokupas, para os ciberjornalistas, para os ciborg, para os consumistas, para os crackers, para os cybergoth, para os cyberpunk, para os hackers, para os hiperactivos, para os hipermercados, para os histriónicos, para os informáticos, para os metabuscadores, para os metapoetas, para os modernos, para os poetisos, para os políticos, para os prácticos, para os pragmáticos, para os programadores, para os publicistas, para os robots, para os técnicos, para os tecnócratas, para os tecnólogos, para os teóricos, para os top-model, para os twitteiros, para os usuarios, para os wikipedas, para obama, para osama,

Nota: abster-se os ignorantes, feridos, duros, imbélices e escuros

(Texto hierarquizado pelo processador de texto word, em sentido descendente e a partir da categoria de parágrafos e com manipulação puntual de tipo obama)

[

♦♦

No es más hondo el poeta en su oscuro subsuelo.
RAFAEL ALBERTI*

Uma citação resultou ferida  num
ciberatentado com poebomba.
bomba

*[Citação correpondente à página 31]

45

Há poetas que escrevem um dia

Um poeta escreve desenhando malabarismos ao longo de uma linha reta traçada no ar.

Outro poeta escreve brincando de uma margem à outra da mesma linha reta e na mesma direção, mas tentando não tocá-la.

Abaixo, o cimento.

esses são os imprescindíveis
os imprescindíveis
os imprescindíveis
os imprescindíveis
os imprescindíveis
os imprescindíveis
os imprescindíveis
os imprescindíveis
os imprescindíveis
os imprescindíveis
os imprescindíveis
os imprescindíveis
os imprescindíveis
os imprescindíveis
os imprescindíveis
—Quais?

46

A poesia na Bíblia

Quem tenha a verdade poética
que atire o último verso.

E ainda que Deus quis vestir-te com panos de matéria, o Espírito elevou tão alto o teu coração, até arrobar-te eternamente em êxtase.
ALDA MERINI

http://www.youtube.com/watch?v=hI5xOZAJFIA

47

Poeta nacional

Atenção, zona hacker!

Dispôs os poetas
no cenario,
contou-os
sinalando com o dedo, e
disse:
—Um poeta nacional,
quantos versos tira mal?

E o eligido contestou:
—Dez.
—1, 2, 3, 4, 5, 6, 7, 8, 9 e 10.
Expulsado..

 

Completar com a citação da página 14
48

Vazamento de água

Atenção, zona hacker!

A poesia é
como a democracia,
acusa vazamento de água
mas não tem
alternativas.

A política é viscosa
A política é viscosa
A política é viscosa
A política é viscosa
A política é viscosa
A política é viscosa
A política é viscosa
A política é viscosa
A política é viscosa
A poesía é

altavoz Ligação poética

 

50

Gastropoesia

no me ensucie las palabras
no les quite su sabor
y límpiese bien la boca
si dice revolución.

MARIO BENEDETTI

Escreva-se o esboço do poema.
Adube-se com recursos.
Bata-se contra o coração.
Deixe-se levedar o tempo de um suspiro.
Polvilhe-se com duas pingas poecrème.
Deixe-se repousar.
Deite-se sobre um leito de versos brancos.
Sirva-se morno e cremoso,
com retro gosto brûlé.
Saboreie-se.
Essência poética em estado puro.

Poesia Crème Express!

PARA O TEU POEMA ÚNICO
TESTA A FÓRMULA!
 ♦♦

51

Optimização

Pós-modernismo,
o verso que limpa mais limpo.
Compra-o.

♦♦

Poeta desempregado oferece-se para escrever versos
em qualquer estilo

 

52

Poética do (meu) silêncio

Non falo para os ruís e poderosos
C. E. FERREIRO

Nem pronuncio nem me pronuncio. 
Para quem escrevemos @s poetas galeg@s de agora?
Silêncio silente silandeiro amor
daçãdo.
Para quem recitamos @s poetas galeg@s de agora?
O ruído do meu tempo enmudeceu_me
n/a minha lingua.
Escrevemos e quando escrevemos parece que estamos S.O.S.
Recitamos e quando recitamos parece que estamos S.O.S.
Silêncio silente silandeiro amor
daçãdo.
Aínda bem que tivemos a Pondal!
Aínda bem que tivemos a Pondal!
Escrevemos e só ficam poetas.
Recitamos e só ficam poetas.

poetas*

*Nota: Detectam-se versos perdidos 

Confrontar com a instalação poética da página 83

Os meus versos de mocidade e de morte
–os meus versos, que ninguém le!–,

no po dos andeis dispersos
–que nenhuma mão toca!–

MARINA TSVIETÁIEVA

♦♦ Escutar «Galegonía»
54

Extrato de vendas (best-sellers)

Título [romance]

Os sonhos do vampiro
Crepúsculo
O alquimista
Os pilares da terra

Título [poesia]

Poemas malditos
Poétic@
Brisas do coração

Exemplares

70.000.001
70.000.000
50.050.505
5.467.879

Exemplares

222
99
67

Conhece a poética de Second Life??
15 milhões de pessoas registadas.
Entre no metaverso.
http://secondlife.com

55

Autopoética

eu es
eu es tou
eu es tou na
eu es tou na ra
eu es tou na ra zão
au to a fir ma ção
au
to po é ti ca

♦♦ ♦♦

 

A poesia é algo assim em algumas pessoas durante um
certo tempo algo no interior
Não tem nada a ver com nadaa

RYSZARD KAPUSCINSKI

Completar com o poema da página 75

58

Nudismo

Pessoa fingia.
Eu, aliás,
sou um farsante.
A minha
poesia
é toda
pura

……………………………………………………….

mentira.

E mata-me o silêncio
de não dizer verdade?

No amor, na poesia, a neve não é a loba de janeiro
mas a perdiz da primavera.

RENÉ CHAR

Ver Persianas, pedramol e outros nervios, página 21

 

59

Teoría do banal

Completar com as citações das páginas 58 e 65

Nadasilêncioninguém

Dentro do nada só
há tempo,
congelado.
A voz é tempo.
O pensamento é tempo.
A vida, an ocean time.
A morte, tempo detido.
Death is time,
silêncio, que também é tempo.
Seria possível o nada
sem o tempo ou
já não seria nada?

POEMA
Cuando ya no nos queda nada,
el vacio de no quedar
podría ser al cabo inútil y perfecto.
JOSÉ ÁNGEL VALENTE

altavoz Ligação poética

65

Perseguição

Com indiferença,
reconheço
a minha sombra
no prazer
da banalidade.

banal
66

A boca seca

boca boca
cabo cabo cabo cabo cabo cabo cabo cabo cabo cabo
bocaboca
boca a boca                                                gatopoetaOH
aboca a boca
abocaboca
abocaaboca
abocaseca
a boca seca
poeta

con las palabras vaciadas ¿que hacemos?
¿las damos que nos las llenen
o las rellenamos?
SAÚL YURKIEVICH

Ver Transición, página 49.

68

Razões

Eu não escrevo
sonetos
porque
sou
neto
dum
soneto.

♦♦
69

Negação da banalidade

Que livro gostarias de escrever que ainda não tenhas escrito?
—Gostaria de tratar, num ensaio, coisas intranscendentes, essas às que a história da cultura ou do pensamento não lhe prestam atenção, mas que estão no quotidiano da nossa vida diária e que, definitivamente, nos condicionam muito mais do que parece.  

Atlántico Diario, 19/10/08, Entrevista a F. Alonso, por Manuel Vidal Villaverde
http://noticiasdefranalonso.blogspot.com.es/2008/10/fran-alonso-gustariame-abordar-nun.html

Qualquer tentação pode afastar-me deste ofício do verso
W.B. YEATS

Citação relacionada com o poema da página 41

71

Eu agora sou poeta

EU Agora sim que sou poeta.

Onde vai, triunfa

star

Si clamáis, se oye como el rugir del león.
RUBÉN DARÍO

72

Fura-greve

Sou um puto poeta
corrompido
pelo mercado.
Sou um puto poeta
corrompido
pelo tempo.
Outros decidem por mim.
Escrevo às ordens
millionárias da industria selvagem
numa potentíssima
língua menorizada.
Não tenho dignidade.
Por isso,
apresento a minha demissão.
A minha demissão, poetas.

Vénde-se livro de poemas, quase terminado, polido,
com citações, 73 páginas, 3.600 euros.


Completar com a citação da página 15

♦♦

73

Tradição literaria

Nem se move, nem se nota, nem traspasa

Com o frio põe-se-me
pequena
e acanhada
encolhidinha, moldável e amorosa
como uma minhoca perante a morte.
Nessa posição, indefensa,
gosto de acariciá-la,
sentir o seu tacto,
as suas cartilagens gelatinosas
abeiradas entre as mãos
até que, pouco a pouco,
com o calor do sangue,
recobra a força indomesticável
e aborrecida
que a predispõe
para o sexo.
Para o verso.

Louvre_Paris

Move-se, nota-se, traspassa
74

Insolvência

(pobreza léxica)

A minha poesia
tem menos palavras

por falta de cobrança.

♦♦ 1.000 mg (Iolanda Zúñiga)

♦♦

  altavoz Ligação poética

Vénde-se livro de poemas, quase terminado, polido,
com citações, 76 páginas, 4.000 euros.

76

Conversação

 

Os poemas não devem começar e acabar num mesmo. O autor é um mediador (…). Deve ser humilde e permeável, deixar que o mare- magnum das possibilidades criativas o supere, (…) deve ceder o lugar de poeta às vozes do seu contorno, a polifonia é necessária à hora de dinamizar a criatividade.
ELIAS KNÖRR

Depois de uma tarde a escrever poemas
meto-me no duche
e só sinto
a estancar-se no umbigo a água morna que vem
da tubagem.
LUISA CASTRO 

Que se precisa para ser poeta?
Por acima de tudo há que ser muito pouca coisa. Ser tão pouca coisa que sejas capaz de dizer «eu», que não te envergonhes de dizer «eu». Toda a poesia está fundamentada no eu, no sentimento, nas impressões, na sen- sibilidade individual, e isso é algo que a sociedade tende a limitar, por- que é a sua função, e na arte tem que se expandir. Um poeta não pode ser poeta se não diz «eu».

Entrevista a L. CASTRO, por Belén Fortes en The Barcelona Review: http://www.barcelonareview.com/31/s_lc_ent.htm

77

Eu

Confrontar com o poema da página 14

Confesso que não me sinto só.
Sei que eu sou vários eus,
que me compõem,
partilhando
saudades.
E todos lutamos por fazer-nos
um lugar.

Um dos meus eus apresenta a sua demissão. Não quer ser poeta.

E volta á casa no Natal.

O eu dum poeta (psicologia?) é uma secção: não substitui, não transporta, não muda o sentido.
CHUS PATO

78

Crise

O eu
morr eu?
a poesia
ia ia ia ia ia ia ia ia ia ia
ia ia ia ia ia iva iva iva iva iva iva iva
que aumenta em tempos de crise
voltou?

(It’s a revival)

I’m death?

Confrontar poemas das páginas 36 e 37

79

Dilema

E se sou poeta,
quando lavo os pratos?

I’m a full-time poet

Ser poeta
limita o potencial pleno de um.

GREGORY CORSO

80

Sexismo

Isa é poeta
e por isso é poetisa.
Iso é poeta
e por isso não é poetiso.
A poesia
também
é
isso.

 

 

 

 

♦♦

♦♦

♦♦

81

Política da poética*

«Há uma poesia que atua como fundamento das pátrias e sem a qual não poderiamos entender o ódio», aponta o pensador esloveno Slavoj Zizek (Liubliana, 1949). Por isso, propõe: «Precisamos de controlar a poesia, após cada limpeza étnica há um poeta».

El PAÍS: «Por trás da cada limpeza étnica há um poeta»

* Política da Opinião

o ruído elástico dos pombos a voar   o ruído elástico dos pombos a voar   o ruído elástico dos pombos a voar   o ruído elástico dos pombos a voar  

Completar com a instalação poética da página 54
Completar com o poema da página 60
83

Debate

 

As razões da poesia

LEONOR SILVESTRI
cultural@clarin.com
Audre Lorde, a poeta e ativista feminista lesbiana negra, afirma que a poesia é o género literário menos burguês porque um poema pode-se escrever mesmo entre os turnos do trabalho numa fábrica, ao contrário de um romance que requer grande quantidade de tempo ocioso.

http://www.clarin.com/suplementos/cultura/2006/12/02/u-01320044.htm

Quando a ira se espalha pelo peito
há que travar a língua lingoreteira
.
SAFO

Poeta, irmã: as palavras
mesmo se queremos ou não–
permanecem por si próprias no tempo
.
ADRIENNE RICH

85

Ciberpoesía

(citações)

♦♦

 

 

 

 

Radical or so-called innovative literary writing faces (& that means faces up to) the facts of life in the digital age.
BRUCE ANDREWS

88

Criação [literaria]

Deus é o melhor
e mais perfeito personagem
de ficção
da história da humanidade.

4 comments

anónimo said
que merda de poema.

medulio said
assim está o nível da poesia galega

unidad said
los nacionalistas sois unos irrespetuosos

lusitania said
é muito estranha, a poesia da Espanha

Comments

 

89

Burocracia

Os seus versos
não encontraram destinatario.
O poema com asunto «auxílio»
foi devolvido pelo servidor.
Reveja o seu endereço electrónico
ou, se acredita que pode dever-se a um erro
de comunicação,
ponha-se em contacto com o seu
servidor.

 

pegada

 

90

Poética do ciberactivismo?

http://www.poesia.com

Sentimo-lo,
ao cair da noite algumas páginas
abandonam discretamente
este servidor
.

* Tem a certeza de que existe este nome de domínio?
O seu registo provavelmente tenha expirado.

Atenção, zona hacker!

altavoz Ligação poética

 

93

Ciberpoética de nós outras

http://www.eutambemnavegar.org
Embora este navegador ofrereça atualizações, neste momento não se encontram a disposição das usuárias.
♦♦
94

Antónimos 3.0

PRAGMATISMO FEMINISTA

:–)–8

—Gosto das tuas mamas –disse-lhe ele.
A mulher ligou o bluetooth,
lançou-lhas sobre o peito
e partiu sem elas.

(Sobre Ángel González)

ECUMENISMO DO MACHO IBÉRICO

@tetero97

Difunde isto a través de RT:
( o ) ( o )
São duas formosas mamas!

95

Exclusão social

Sorry, your account has been disabled. [?]

Desativada.
Desativada.
Desativada.

Google Accounts: I’m getting a message that says ‘Sorry, your account has been disabled.’

In most cases, accounts are disabled because of a perceived violation of either the Google Terms of Service or product-specific Terms of Service.

Connecting people!

♦♦ Ligação poética
96

Traslado web

Esta tristeza que trago
Foi de vós que a recebi.
AMÁLIA RODRIGUES

A página Solitari@s não existe
ou mudou de endereço :–(
Se ignora a nova localização
e o seu coração é permeável
e depressivo prima nesta ligação.  

Deseja um avatar diferente ao solicitado?

Não desprecie uma oportunidade para melhorar!

97

Passagem

O meu hipertexto

afogou-se no papel

uneasy Generation Next!

♦♦

98

Tentativa de assédio

Cada vez
que tento
aproximar-me de ti,
o teu firewall
impede-me o passo.
Se queres continuar
a navegar
pela minha poética
deves mudar
a tua configuração
e fazer-te
acessível
para mim.

Atenção, zona hacker!   

altavoz Ligação poética

 

102

Poema 3.0

ruído

ruptura    intertextualidade

desafio  conectividade/conotação   incerteza

transfronteiriço  nov@s lector@s  palabrasglobo

incrustación  ex-pressão     multimedia hiperignoto

pantallaço globalização tuiteo

WhatsApp

paradigmatic

iNversos

vinho verde

♦♦ sugarfree poetrygum  

Cóbreme unha espesa nube,
tal preñada de tormentas,
tal de soidás preñada
ROSALÍA DE CASTRO

103

Hoax

Assunto: Salvemos a poesia

Um vírus muito perigoso
está a encher os versos de sentimentos
está a encher os versos de revolução social
pretende equiparar os versos à liberdade
pretende equiparar os versos ao pensamento
está a usar os versos para fugir das leis do mercado
está a usar os versos para escandalizar
está a usar os versos para obter benefícios e
notoriedade.

Se não o eliminas, o vírus procederá à confusão total de conceitos n@s receptor@s

Procede da seguinte maneira:

–Faz clique no verso suspeito
–Se não o encontrares, usa a função PROCURAR; ARQUIVOS OU PASTAS.
–Uma vez localizado, envia-o ao CAIXOTE DE RECICLAGEM. A continuação prime ELIMINAR.

SALVEMOS A POESIA!!!!

POR FAVOR DIVULGA ESTA MENSAGEM

(Ver o poema da página 107)

♦♦
104

Petitiononline

Vi as melhores mentes da minha geração abduzidas, vencidas, dedicadas, bêbadas de cocacola, arrastando-se como loucos atras das proclamações de paulo coelho na procura da felicidade, culturetas de suplemento literário extasiados no celestial deslumbramento do mercado, na fascinação dos ecrãs, dos monitores, renegando do verso dos poetas, da destreza intelectual, renunciando a si próprios, descrentes hipócritas, conformistas, merda disposta em estiva, merda por baixo e por cima, merda à direita e à esquerda. Tudo cheio de merda.

Assina contra eles:

http://www.petitioonline.com/contraamerda

Olhamos as melhores mentes da nossa geração
destruidas pelo tédio nos recitais de poesia.
LAWRENCE FERLINGHETTI

Completar com a citação da página 101

105

Poética*

Camuflou-se discretamente
entre os milhões de resultados

de uma pesquisa rápida.
Quis confundir-se entre eles…
…e mudou.

Gosto. Cibrán Silleiro e outros três gostam disto.

Suxestións
Poétic@ habilitou o seu historial de leituras neste livro.
Por favor, anote os poemas depois do índice.

 

106

Epitafio

Confissão

Y el poeta dijo al morir:
sinto deixar este mundo
sem escrever um poema profundo.

112

A morte do poeta

Este poemário
deixa-me despido
como a um internauta com webcam;
deixa-me indefenso
como a um cidadão perante a sua entidade bancária.
A minha vida como poeta
terminou.
Estou morto.

Os versos assemelham-se a um corpo
quando cai

JOSÉ TOLENTINO MENDONÇA

113

Posdata

Esclarecimento

Crítico/a,
os meus versos
foram devastados
por uma ciclogénese explosiva.
Não pude fazer mais
na reconstrução
tediosa do poemário.

nota-musical

Sempre teremos Paris

Esta casa esteve dedicada à labranza e à morte.
No seu interior propagam-se as urtigas, pesam as flores sobre as madeiras atormentadas pela chuva.
ANTONIO GAMONEDA

117

Vende-se livro de poemas, extenso, totalmente terminado,
algo corrosivo, polido, com citações, 120 páginas,
8.000 euros.

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118

FIM

The End*

* Para os entusiastas do poeta que preside a página 72.

119
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